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O amor que sinto agora, de Leila Ferreira

09 julho 2018


O amor que sinto agora, da mineira Leila Ferreira, era o livro do qual eu estava precisando ultimamente, sem exageros. Esse romance, fortemente autobiográfico, publicado pela editora Planeta, é uma história linda de amor, perdão, coragem e muito, mas muito crescimento pessoal. Seu caráter confessional, fortalecido pelo formato em cartas e a narrativa muito íntima e poética da protagonista, aproximam rapidamente o leitor. Fui fisgada com imensa facilidade.

Quatro anos depois de perder a mãe, a jornalista Ana decide abrir uma carta deixada por ela para que fosse lida após a sua morte. O desejo de dar uma resposta às palavras da mãe é a força-motriz que constrói O amor que sinto agora: pouco a pouco, de carta em carta, Ana vai nos revelando a história das mulheres de sua família, incluindo a dela própria. Bisavó, avó, mãe, filha: todas estão profundamente ligadas pelas dores familiares, amores que deram errado, sonhos dourados e muita, muita vontade de ainda ser feliz, apesar de todos os pesares.

Ao passo que vai retomando a história da mãe e das mulheres que vieram antes dela, Ana vai contando sobre sua própria trajetória, com o desejo de quebrar o silêncio de uma vida inteira para com a pessoa que ela mais amava no mundo, mas de quem escondia muita coisa, justamente porque não queria deixá-la mais infeliz do que a vida dura já a fizera. Assim, ela revela um casamento fracassado, a violência sexual sofrida e a depressão. Até esse momento, parece tudo muito triste: mas não vai ficar assim. Ana carrega em si não só a dor, mas também a força imensa das mulheres de sua família. E é com essa força que ela resiste e começa a se reconstruir.


Ficha Técnica:
Título: O amor que sinto agora | Autor: Leila Ferreira | Ano: 2018 | Páginas: 256 | Idioma: português | Editora: Planeta

É por volta da metade do livro que se começa a ver a protagonista reagir a todo aquele passado doloroso que ela havia contado. De Minas Gerais, para São Paulo, para a Cidade do México, e então de volta ao Brasil, depois de outro duro golpe que foi o falecimento da mãe, Ana – ou Leila – começa a se reerguer. Com a ajuda da terapia e o cuidado de amigos, ela começa a superar, de pouquinho em pouquinho, as dores da alma que a afligiam. Não é a primeira vez que leio um livro que trata de transtornos mentais, mas, felizmente, mais uma vez posso me ver muito satisfeita com a maneira sincera que tudo foi relatado e como a narradora ilumina sua história com a esperança que vai se desenvolvendo e levantando-a daquele estado falsamente eterno de tristeza em que ela havia caído – este que conheço muito bem.

Quando Ana se sente esperançosa, começamos a nos sentir esperançosos com ela. Torcemos por sua recuperação e celebramos cada pequeno passo que ela faz rumo à liberdade, seja começar a usar roupas mais coloridas ou tomar a coragem de largar seu emprego e fazer uma viagem internacional. Sozinha, ela decide voltar ao México, visitar o Egito e a França; e vai relatando tudo isso, seu processo de cura espiritual, nas cartas que continua escrevendo para a mãe. Com cada correspondência, a mágoa vai ficando para trás e a felicidade começa a espreitar entre as linhas, como a luz calorosa do sol que entra pelos espaços entre as persianas. 

O amor que sinto agora é uma leitura simples, mas profunda, sobre reconstruir o amor pela vida e por si própria. Me sinto engrandecida toda vez que leio um romance que joga na minha cara aquilo que eu já sei, mas às vezes esqueço: nós, mulheres, somos incrivelmente fortes e senhoras de nossos próprios destinos. Que a gente possa sempre se reerguer e se fortalecer, mesmo quando as dores da vida, da violência e da opressão nos jogam para baixo, assim como Ana fez. Recomendadíssimo!


Ah, mãe, o filme que vejo é infinito. E, mesmo quando triste, é de uma beleza pungente, uma beleza que cura o espanto da alma e levanta a sombra do olhar.

Comentários
13 Comentários

13 comentários :

  1. Oi, tudo bem?

    Fico feliz por ter gostado do livro. Eu particularmente amo livros com esse enredo, principalmente quando a personagem tem uma evolução tão grande, eu costumo viver a história junto com as personagens, e começo a refletir sobre o assunto, o que acho ótimo. Com certeza vou ler esse livro, já está na minha lista de desejados.

    Beijinhos!!

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  2. Tudo bem?
    Não conhecia o livro.
    Me parece bastante reflexivo. Não sei se é o tipo de leitura que procuro no momento, ainda assim vou anotar a dica. Pois o tema me agrada.

    Beijos.

    www.alempaginas.com

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  3. Oi Rafa!

    Tudo bem? Eu acho, mas não tenho certeza, que vi esse livro por aí, mas confesso que nem a sinopse cheguei a ler, então a sua resenha é meu primeiro contato com esta obra.

    Gosto bastante de livros mais profundos, sempre acabam me proporcionam reflexões maravilhosas e vejo que esse livro causou exatamente isso em você Rafa e por isso estou definitivamente curiosa. Espero poder conferir em breve e claro que já foi pra minha wishlist!

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

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  4. Oii!!


    Rafaela, não conhecia o livro e gostei muito do enredo, contudo esse não é o momento para ler esse estilo literário. Fiquei feliz por ver a recuperação dela, sua autoestima e saber que ela consegue, mas preciso de um emocional mais "concreto" para iniciar esse estilo de escrita.

    Obrigada pela dica.

    beijos!

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  5. Oi...
    Antes de falar qualquer coisa sobre o livro eu tenho que te dar os parabéns por esse resenha completamente apaixonada e envolvente.

    Não conhecia o livro e nem a autora para falar a verdade. Pelo que disse, acho que é o tipo de livro que eu ando precisando também. Adorei a historia é a essência da historia.

    Beijos

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  6. Olá, Rafaela!

    Nossa! Preciso desse livro para ontem! E sua resenha está simplesmente maravilhosa! Parabéns! Ela me fez sentir um pouco da história, da personagem, de sua vida.

    A vida é muito complicada. Às vezes parece que ninguém se sente como a gente, que ninguém pode compreender a dor que sentimos, a tristeza que vem, as dúvidas sobre o futuro, o medo, as decepções e mágoas... aquilo que guardamos dentro de nós. Muitas vezes fico triste, pensando e pensando... Encontro sempre nos livros um refúgio. Um escape da vida real e todas as suas exigências. Têm vezes que a dor é mais forte que tudo, que a tristeza parece que não vai passar, mas sempre passa. E encontramos dentro de nós a força para seguir em frente. Porque somos guerreiras desde o início dos tempos. A gente pode até cair, mas levanta depois. E mesmo chorando conseguimos sorrir.

    Bjs!

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  7. Olá!
    Tenho visto bastante lançamentos com essa temática e fico contente por ver que a leitura é fluida e bem profunda. Nos permitindo refletir sobre a vida e mergulharmos na essência da personagem.
    Com uma resenha dessas e essa capa linda é impossível não querer adicionar na lista de leituras.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro ainda, mas de cara já fiquei animada com ele. Bom, gostei bastante da premissa, a história aborda temas bem importantes e parece trazer muito aprendizado para os leitores, sem contar que acho muito bacana histórias em formato de cartas. Enfim, eu vou marcar a dica e espero ler em breve, acredito que vou gostar muito.

    Beijos :*

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  9. Já fiquei encantada pela capa desse livro. Amo quando nos conectamos tanto com o personagem e torcemos por ele. Ficou ótima a sua resenha. Já quero ler também pra conferir mais dessa mulher se reencontrando e reencontrando a história das mulheres da família.

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  10. Oi!
    Eu gosto quando alguns livros nos toca assim. Parece que ele nos escolhem, né? Eu fiquei muito interessada em fazer essa leitura, pois parece ser um livro doloroso, mas ao mesmo tempo, cheio de lições.
    Adorei a forma singela como você falou sobre esse livro e vou super anotar a dica.
    Beijos

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  11. Eu ainda não conhecia o livro e fiquei bem interessada na leitura, uma parte pela superação que a protagonista atravessa e também por se ambientar no Brasil porque eu amo livros com cenários nacionais.
    Beijos

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  12. Olá Rafa!!!
    Nunca tinha ouvido falar do livro e da autora, mas achei incrível o fato da autora trazer uma autobiografia sua e que também por ser de certa forma um lembrete de quanto nós mulheres somos fortes e além disso como podemos superar determinadas coisas.
    Adorei a dica e sua resenha está maravilhosa ^^

    lereliterario.blogspot.com

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  13. Olá, tudo bem?

    Não conheci o livro, nem a autora, achei interessante a questão autobiográfica. Não sou muito de livros assim, mas confesso que sua resenha me deixou curiosa, o livro parece ser muito bom...

    Beijo!

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